
Gal Costa (1969) – Gal Costa
Em janeiro de 69, a barra dos tropicalistas pesou. Gil e Caetano foram presos e permaneceram meses detidos num quartel no Rio de Janeiro. “Convidados” a deixar o país, partiram para um longo exílio em Londres. O Tropicalismo - movimento que pretendia renovar a música popular no Brasil - foi decapitado, perdendo num só golpe (militar) os seus dois cabeças.
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As prisões geraram um clima de incertezas e medo. Nesse momento conturbado saiu o primeiro disco solo de Gal. O LP estava gravado há vários meses, mas o temor da censura e de novas prisões atrasou seu lançamento. Ao lado de Caetano, Gal já havia gravado Domingo (1967), um disco tímido, bonito e influenciado pela bossa-nova, que representou a estreia em disco dos dois baianos.
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Quando o LP de 69 finalmente foi lançado pela Philips, a constatação clara e cristalina foi a de que o Tropicalismo tinha encontrado sua grande intérprete. Gal já havia conquistado o público presente ao Festival da Record, com uma esfuziante interpretação de “Divino, Maravilhoso”. Com sua voz límpida e um jeito cativante, esbanjando atitude, Gal se tornaria um ícone feminino, combinando o visual hippie-chique a uma postura arrojada de palco.
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O primeiro disco ultrapassou facilmente as cem mil cópias vendidas, o que não era nada mal para os padrões da época. Com arranjos do maestro Rogério Duprat e o frescor de um repertório que buscava o elo perdido entre João Gilberto e as guitarras iê-iê-iê da Jovem Guarda, o disco abria, entre ruídos extraterrenos, com “Não Identificado” - no mesmo ano em que os americanos pisaram na lua pela primeira vez, a canção viajava com sua irônica letra sobre discos voadores gravados em pleno espaço sideral.
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“Sebastiana” dava um toque de estranheza a um hit regional gravado por Jackson do Pandeiro. “Baby”, composta especialmente por Caetano para ela, também integrava o disco manifesto Tropicália Ou Panis Et Circensis (1967) e se tornaria a canção-símbolo da cantora e o sucesso radiofônico do disco.
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A já citada “Divino, Maravilhoso” evocava a barra pesada da época: “Tudo é perigoso”. Mas apesar dos riscos em voga, o disco apostava menos em ousadias e mais na beleza e no bom humor de faixas como “Namorinho de Portão” (de Tom Zé) e “Que Pena” (de Jorge Ben).
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Escoltada pelas guitarras de Lenny Gordin, e revoltada contra as prisões, exílios e a censura da época, Gal Costa gravaria um outro disco, ainda mais radical e psicodélico, também em 69. Coube à cantora no disco seguinte mostrar o lado mais agressivo da Tropicália, logo depois de oferecer o seu instante de maior doçura.
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Escoltada pelas guitarras de Lenny Gordin, e revoltada contra as prisões, exílios e a censura da época, Gal Costa gravaria um outro disco, ainda mais radical e psicodélico, também em 69. Coube à cantora no disco seguinte mostrar o lado mais agressivo da Tropicália, logo depois de oferecer o seu instante de maior doçura.

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